segunda-feira, 13 de outubro de 2014

salinas, 1997

a clarice havia falado que seria interessante trazermos uma foto que lembrássemos o dia que ela tinha sido feita.

salinas é o lugar que tenho mais memórias da minha vida. daqueles lugares que trazem lembranças das brincadeiras com as crianças da vila até o primeiro porre pelas areias da praia em uma viagem de planctus. em 1996, meu pai comprou uma câmera fotografica diferente das outras que ele tinha. isso foi o maior barato para os nossos registros juntos. e essa foto que trago aqui, faz parte da primeria seção de fotos com a nova câmera em salinas, já em 1997. no momento em que meu pai fazia essas fotos eu não sabia que seriam nossas últimas férias em salinas com papai e mamãe casados. a separação de meus pais é um grande marco na minha trajetória. eu dizia: "não acredito que o amor de vocês acabou!". olho pra essa foto e consigo revisitar todos essas sensações. e me sinto feliz.




alcindo cacela 1112

quatro andares de corrimão escorrega bunda, com algumas pausas para voos em janelas baixas de paredes azuis e superfícies-frias-moradas-de-baratas. e a mila latindo e correndo. as escadas tomavam conta dos caminhos da casa e eram elas o chão-obstáculo que os patins iam suaves, nem se pensava se haveria lugar próximo dalí que fosse mais "apropriado" para as rodas azuis e violetas. e a mila latindo e correndo. pausa para comer uma ruffles com ketchup. e a mila latindo e esperando com a língua pra fora. no mezanino mamãe papai riam ao ver o universo que carregavam nos olhos. a rede de segurança era pula pula peludo de rinite a coceira nos olhos, mas tudo bem, depois a gente tomava um banho. e a naza só sorria e nos amava com o amor mais generoso desse mundo.mas enquanto isso, ney, faz fotos... depois elxs crescem. registra agora. passa tão rápido. vittória já ralou o joelho direito de novo a mila já tá batendo a porta do lavabo pro amigo imaginário dela. crianças, bora tomar banho e dormir. mas não antes do nescau gelado com bolacha cream crack com manteiga. com a roupa do trabalho (calça marron, cinto e a blusa que eu sonhava no sonho de retorno), papai vinha ler um capítulo de "o livro das virtudes para crianças". com a roupa do trabalho (calça cinza, blusa branca, tamanco marron e cordão verde que hoje carrego comigo) mamãe vinha dar boa noite, dizer - me enchendo de cheiros - que o quarto tava bagunçado e que não era pra eu - de novo! - ficar acordada até tarde... tantas cores já pintaram esses paredes. tantos quadros já foram separados junto com amores que também separam. a miloca já virou anjo da guarda. a vontade de ser gente grande me levou mundo a fora, fora das paredes de casa... esse vai pra mais uma página do diário.





sábado, 11 de outubro de 2014

um a um

Um por um, entram no palco correndo. Quando chegam no meio, saltam e atravessam para o outro lado. A primeira vez que o fazem é em fila, depois cada um começa a entrar de uma coxia. O ritmo constantemente acelerando. Vanessa pega o baixo e começa a tocar. Em seguida, Jeff pega a guitarra e Rafa senta na bateria. Fernandinha e Vittoria vão para o teclado e Sérgio para a flauta.

início

terça-feira, 30 de setembro de 2014

manolito de barros

"Toda vez que encontro uma parede
ela me entrega às suas lesmas.
Não sei se isso é uma repetição de mim ou das
lesmas.
Não sei se isso é uma repetição das paredes ou
de mim.
Estarei incluído nas lesmas ou nas paredes?
Parece que lesma só é uma divulgação de mim.
Penso que dentro de minha casca
não tem um bicho:
Tem um silêncio feroz.
Estico a timidez da minha lesma até gozar na pedra"

livro das ignorãças. são 18 páginas. vamos ler tudo!
pdf: http://comvest.uepb.edu.br/concursos/vestibulares/vest2013/Manuel_de_BarrosO_Livro_Das_Ignoracas.pdf

domingo, 28 de setembro de 2014

nós brincantes

Um trecho de um texto corrido que eu estava escrevendo pra aula de ECO IV (magia gun nela... e além para os entendidos). Bem soltinho e talvez confuso, mas deu vontade de postar aqui procês:

Velhos passos de criança, e também um dinossauro, nas origens da vida, movimento de escamas. Um fantasma de suas memórias, o branco no preto é perolado, o alto grau de concentração em si é beira de loucura: brincadeira flutuante na margem do abismo. Há aí o limite do jogo, quando a disposição na atenção é séria, a diversão pode parecer camuflada e isso é o que parece. Mas esse limite é onde, de fato, a simples presença parece muita coisa – justo por que cada pouquinho de atenção a cada e qualquer coisa, já é grande como um nascimento, e renasce naquela hora de novo. A brincadeira se torna um enorme e sucessivo florescer de brincadeiras. E a brincadeira se torna memória. E a brincadeira há de se nomear de novo fazer – de dentro pra fora. Também de fora pra dentro, ao mesmo tempo.
Vou arriscar dizer que existem alguns princípios elementares da brincadeira. Um deles é o fato de o brincante, indivíduo que brinca ativamente, uma vez em ‘estado de jogo’, não é mais achatado em nenhuma outra definição que a própria de ‘brincante’. Não é homem ou mulher, não é velho nem novo, não é deus nem humano. Apenas atuante ativo ou passivo do jogo. E esse jogo está dentro e fora. Fora por que quem brinca está presente no espaço e dentro por que este tem memórias independentemente de qualquer coisa. Então se torna algum um que ao mesmo tempo em que não é mais o que é – escultura de cicatrizes do tempo na cultura social em que está inserido fora da ‘hora de brincar’ – também continua sendo, pois não ignora e pode se utilizar dos espaços abertos pelas cicatrizes e deixá-los encontrar seus caminhos pelo corpo, não sublinhando a lembrança que passou, mas descrevendo (e descrever também é destruir) essa mesma lembrança que ainda passa, e por isso mesmo pode se modificar a cada momento.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

pipocanduba

pipocanduba - o sanduba de pipoca, aquele que nos traz ideias pipocantes!

esse é o melhor sanduíche do mundo, de todas as galáxias pipocáveis possíveis e existentes. é aconselhável comê-lo, no mínimo, uma vez ao dia pelo simples fato de que: ele é um grande dispositivo de ideias! para aqueles que ainda não sabem, o milho é um alimento sagrado em várias culturas. se o milho já é sagrado, imagine a pipoca!!!!! a transformação revolucionária do milho!!!! é a maravilhosidade em forma de florzinhas brancas, macias e amorosas. maaaaas, se você não o fizer com amor... pipocas queimadas e tristes irão lhe assustar durante a noite (TANDANDANDANNN).

1° passo;

coloque o seu rock'n'll favorito pra tocar; (não se prenda à uma música apenas; aqui é permitido que existam muitos rocks favoritos e o meu do dia é: https://www.youtube.com/watch?v=9GkVhgIeGJQ). é ele que dará início as energias transformadoras e mágicas. as ondas sonoras entram em sintonia com as ondas guloseimicas do milho. essa vibração é o rock, rock geral até mais tarde e sem hora marcada (VERMELHO;Barão)!!!!

2° passo:

ingredientes pipocáveis!
milho a gosto
manteiga a gosto
cheddar a gosto
pão de gergelim (37 cm)


3º passo:
VAMOS METER A MÃO NA MASSA, DIGO, NA PIPOCA E DEIXE O ROCK'N'LL ROLAR!!!
pegue o pão de 37cm e dance com ele! diga pra ele o quanto ele é maravilhoso por receber milhos! após esse ritual, pegue a manteiga e passe com a mão (com a mão!! isso é importante pois você imprime no pão as suas positives vibrations yeah) em tooodo o pão. uma vez que você passou bastante manteiga no pão todinho, você pega o milho! vá colocando milho em todo o pão, por dentro, por fora, nas pontas. várias, várias camadas de milho!
depois de colocar a quantidade mais exorbitante de milho você coloca 3 fatias de cheddar na parte interior do pão. opa!!! já estamos quase chegando lá. com nossa obra-prima-pipocanduba montada, é preciso abraçá-la, acariciá-la e dançar durante o tempo que achar necessário. feito isso, você coloca o pipocanduba em uma superfície de sua preferência e leve para a fogueira. assista ao show pipocan'roll das pipocas pipocando, pipocando, pipocando, pipocando... e ficando cada vez maiores e mais quentinhas e mais juntinhas e mais amanteigadinhas!!!! e não sofra ao ver os milhos virando pipoca, as mudanças acontecem!!! quando você perceber quer todos os milhos que estavam grudados ao pão de gergelim de 37cm estiverem pipocados... PRONTO! chegou a hora de deliciar-se e atravessar todas as dimensões imagináveis. e, pode ter certeza, ideias incríveis estarão à caminho... =)

Assinado: Vittória com dois t's e acento no o.

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"(...)
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.
(...)
Quanto às pipocas que estouram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira."

Rubem Alves

ta rolando beatles na sala

Ta rolando Beatles na sala. Meu corpo dança na cama. É bom acordar com Beatles apesar de não gostar da banda cover do meu pai. Todos policiais que tocam Beatles nas horas vagas. Falando em vagas essa noite eu não catei vagalume e tive pesadelo. Sonhei que eu estava num aeroporto de vagalumes. Pessoas vagalumes. Aí, chegava o avião e todos iam só que eu ficava entalada numa cadeira de criança. Comecei a lutar com a cadeira e quando consegui me libertar fui numa velocidade de aquaplanagem e ultrapassei todo mundo. Isso é quando vc perde o contato com o chão mas não voa. Acontece que só eu cheguei a tempo de pegar o avião. Fui sozinha. Fiquei apavorada. Não sei nem ir no Largo do Machado sozinha. Mas quando entrei estava em um avião de dinossauros. Dinossauro com pasta de trabalho, bebes dinossauros, tinha até uma banda de dinossauros que viajava em turnê e aproveitava para dar a última ensaiada. Olhei pra baixo e vi que os vagalumes se organizavam em uma enorme fila para o próximo voo. Pensei que eu ia comer antes deles e acordei com fome. Vou preparar minha poderosa e cheia de saúde bisnaguinha. Pão bisnaguinha com queijo parmesão ralado, no forno com gotinhas de Nutella. To com cara de tesão. Aprendi o que é tesão ontem. Tesão é quando vc sente uma coisa muito boa e a cara não engana.