Gastei o tempo da noite passada (Pior seria perdê-lo. ''Não maltrate o tempo!'' avisou Lewis Carrol) com o árduo exercício de escrever sobre o começo. Apaguei e rescrevi muitas vezes. Não é fácil dar forma à um pensamento tão líquido. Escorre por qualquer lado sem deixar vestígios. Suor deve ser isso, ideia que foge pelos poros. Quando a coisa adquire um contorno vem a tromba d'água e num instante faz da água rasa obscura profundeza. Concluo, portanto, que ao fugir covardemente da escrita encontro minha maneira de definir o começo: Estar sempre começando.
É como o uso do lápis. Se dedicarmos 20 anos de nossas vidas a pontilhar uma folha de papel em branco ,com o passar do tempo perceberemos que os primeiros pontilhados desaparecerão. Os rabiscos mais fortes serão os mais recentes. Isso é movimento. Como se os rabiscos antigos acompanhassem a mão de quem desenha, esperando os traços novos para poderem desaparecer. Não haverá página preenchida e mesmo assim persistiremos em manter os pontinhos desenhados. Parecerá que as bolinhas pretas (honrando um nêgo 8B) caminham pelo papel. O último ponto será sempre o primeiro. Entre o ponto que desaparece e o novo existe uma ponte entre experiência e a descoberta.
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