quarta-feira, 4 de março de 2015

O Começo dos Tempos - Fe e Vanish

Fê se senta na cadeira e observa a plateia. Atrás dela, todos começam a soltar os seus instrumentos. Silenciosamente Vanessa se aproxima pelas costas da Fê e tampa seus olhos.



Vanessa: O que você tá vendo?


Fê: Não to vendo nada, ué


Vanessa faz como quem vai desistir da brincadeira, mas Fê aperta a mão da amiga contra os seus olhos.


Fê: Peraí, to vendo! Tem um gatinho bebendo leite. Um sacão e pipoca com asas enormes. Que isso! Gente, isso é pipoca ou pedra? Elas tão se batendo! Cuidado! Uma cadeira passou raspando. Tá chovendo, Vanessa, olha! Quanta água! É o mar mar! Eita. Olha tu ali, bem velha. Você tem uma calda de sereia! Viu esse peixe? UAU! Que buraco enorme! Acho que é um bolo de chocolate, que recebeu um furo gigante feito por um dedão enorme. Tá saindo uma fumaça quentinha, gostosa. Tá chegando mais perto! Olha pra isso menina! Tem de tudo lá dentro. Buraco negro, buraco de minhoca. Acho que é onde começou tudo! Tá muito perto, Vanessa, ele vai me engoliiiiiiiiiiiiiiiiiii BU!


Enquanto as meninas falam o texto, os outros passam por traz da cena, em fila, investigando o caminho da evolução dos animais e suas suspensões poéticas. Tenho cá pra mim, que a Fernandinha parece viver o cinema 3d pela primeira vez em suas reações. Gosto de pensar que na fila, euanto acontece o dirigível, todos estão usando aquele óculos verde e vermelho de enxergar três dimensões onde só tem duas.


Vanessa: No começo dos tempos tudo era poeira. A essa poeira damos o nome científico de átomo. Os átomos também são chamados de pontinhos. E quanto a gente tem vários pontinhos, podemos ligá-los de formas infinitas e desenhar tudo o que existe. Os átomos são ingredientes elementares para a formação das coisas e de nós. Tudo é poeira. Todas as coisas são montinhos de átomos. Tudo o que existe só existe porque seus pontinhos foram ligados dando forma ao seu contorno.


Fê: Antes dos pontinhos se ligarem, a poeira fica espalhada e o espaço fica todo sujo de átomos. O espaço, as galáxias e o infinito com seus átomos todos bagunçados! Antes do começo a gente é essa poeira de cometa, e das coisas que existem láaaa longe. Depois nos tornamos constelações, várias estrelas juntas. Até o momento em que os rabiscos que ligam os pontinhos se apagam para que os mesmos pontinhos se liguem de um jeito novo e formem uma outra coisa. (Como uma massinha em formato de biscoito, que depois que a gente amassa, pode virar o número oito. Ou o oito deitado, ou o infinito). Assim, aquele átomo da ponto do rabo do dinossauro pode estar hoje dentro do seu coração. E os átomos dos cantinhos do sorriso da vovó, podem vir a ser tudo o que a gente quiser. É só ligar os pontos.

editar: oito, infinito, biscoito

3 comentários:

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  3. Bonito ver assim... o começo do começo, omeço, meço, eço, ço, o. Tropeço, floreço, esclareço, enlouqueço, suleço, amorteço... gosto do cê cedilha porque tem uma cobrinha embaixo. Você sabia que cobra põem ovo? Eu sabia.

    Amei Tia Clarice!

    Assinado: Judi.Vónessa.Vanessa.

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