Fê se senta na cadeira e observa a plateia. Atrás dela, todos começam a soltar os seus instrumentos. Silenciosamente Vanessa se aproxima pelas costas da Fê e tampa seus olhos.
Vanessa: O que você tá vendo?
Fê: Não to vendo nada, ué
Vanessa faz como quem vai desistir da brincadeira, mas Fê aperta a mão da amiga contra os seus olhos.
Fê: Peraí, to vendo! Tem um gatinho bebendo leite. Um sacão e pipoca com asas enormes. Que isso! Gente, isso é pipoca ou pedra? Elas tão se batendo! Cuidado! Uma cadeira passou raspando. Tá chovendo, Vanessa, olha! Quanta água! É o mar mar! Eita. Olha tu ali, bem velha. Você tem uma calda de sereia! Viu esse peixe? UAU! Que buraco enorme! Acho que é um bolo de chocolate, que recebeu um furo gigante feito por um dedão enorme. Tá saindo uma fumaça quentinha, gostosa. Tá chegando mais perto! Olha pra isso menina! Tem de tudo lá dentro. Buraco negro, buraco de minhoca. Acho que é onde começou tudo! Tá muito perto, Vanessa, ele vai me engoliiiiiiiiiiiiiiiiiii BU!
Enquanto as meninas falam o texto, é necessário entender que imagens se criam para colaborar com a compreensão do texto.
Vanessa: No começo dos tempos só existia poeira. Poeira, que os cientistas preferem chamar de átomo. E nós, que temos licença poética, escolhemos chamar de pontinhos. Agora imaginem vários pontinhos. Dependendo do jeito que a gente liga os pontos, uma forma nova se cria e como as opções são infinitas, podemos desenhar tudo o que existe. Os átomos são ingredientes fundamentais para a formação das coisas e de nós. Tudo é feito dessa poeira. Todas as coisas são montinhos de milhões, bilhões, trilhões de átomos. Tudo o que existe só existe porque seus pontinhos foram ligados e deram forma a um contorno.
Fê: Antes deles se ligarem, a poeira ficava espalhada e o espaço ficava todo sujo de pontinhos. Nada existia ainda e a não ser essa poeira que com o tempo foi virando tudo que a gente conhece. Antes do começo a gente é essa poeira sem forma, pontinhos sem conexão. E os pontinhos se juntam pra formar um cometa e todas aquelas coisas que existem láaaa longe. Se tornam constelações, que são várias estrelas juntas. Com o tempo, os pontinhos se separam e se ligam de de outro jeito ou a outros pontinhos formando uma coisa nova. Como uma massinha que podemos amassar e transformar numa rosquinha. E se essa rosquinha grudar em outra rosquinha, elas viram o número oito, que se levar um peteleco, cai e vira o oito deitado, ou o infinito.
Esses pontinhos, que os cientistas chamam de átomos, se juntam e se separam a outros pontinhos o tempo todo. Assim as coisas que deixam de existir, se transformem em coisas novas que estão nascendo. Assim, aquele átomo da ponta do rabo do dinossauro pode estar hoje no músculo seu coração. É só a gente ligar os pontos.
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