segunda-feira, 13 de outubro de 2014
salinas, 1997
alcindo cacela 1112
quatro andares de corrimão escorrega bunda, com algumas pausas para voos em janelas baixas de paredes azuis e superfícies-frias-moradas-de-baratas. e a mila latindo e correndo. as escadas tomavam conta dos caminhos da casa e eram elas o chão-obstáculo que os patins iam suaves, nem se pensava se haveria lugar próximo dalí que fosse mais "apropriado" para as rodas azuis e violetas. e a mila latindo e correndo. pausa para comer uma ruffles com ketchup. e a mila latindo e esperando com a língua pra fora. no mezanino mamãe papai riam ao ver o universo que carregavam nos olhos. a rede de segurança era pula pula peludo de rinite a coceira nos olhos, mas tudo bem, depois a gente tomava um banho. e a naza só sorria e nos amava com o amor mais generoso desse mundo.mas enquanto isso, ney, faz fotos... depois elxs crescem. registra agora. passa tão rápido. vittória já ralou o joelho direito de novo a mila já tá batendo a porta do lavabo pro amigo imaginário dela. crianças, bora tomar banho e dormir. mas não antes do nescau gelado com bolacha cream crack com manteiga. com a roupa do trabalho (calça marron, cinto e a blusa que eu sonhava no sonho de retorno), papai vinha ler um capítulo de "o livro das virtudes para crianças". com a roupa do trabalho (calça cinza, blusa branca, tamanco marron e cordão verde que hoje carrego comigo) mamãe vinha dar boa noite, dizer - me enchendo de cheiros - que o quarto tava bagunçado e que não era pra eu - de novo! - ficar acordada até tarde... tantas cores já pintaram esses paredes. tantos quadros já foram separados junto com amores que também separam. a miloca já virou anjo da guarda. a vontade de ser gente grande me levou mundo a fora, fora das paredes de casa... esse vai pra mais uma página do diário.
sábado, 11 de outubro de 2014
um a um
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