Estava aqui, estudando pra nossa peça e me deparei com um trecho, no texto "A Moralidade do Brinquedo", do Charles Baudelaire:
Todas as crianças falam a seus brinquedos; os brinquedos transformam-se em atores no grande drama da vida, reduzido pela câmara escura de seus pequenos cérebros. As crianças testemunham por seus jogos sua grande faculdade de abstração e sua alta potência imaginativa. Elas brincam sem brinquedos.
O eterno drama da diligência representada com cadeiras: a diligência-cadeira, os cavalos-cadeiras, os viajantes-cadeiras; o condutor é o único vivente! A parelha permanece imóvel, e, apesar disso, devora com uma rapidez ardente os espaços fictícios. Que simplicidade de encenação! E não há aí o suficiente para fazer corar pela sua impotente imaginação esse público pervertido que exige dos teatros uma perfeição física e mecânica, e não concebe que as peças de Shakespeare possam ser belas num esquema de absoluta simplicidade?
Sorri, lembrei de vocês, atores-cadeiras, e da simplicidade em que me atiraram e que me comeve a cada encontro e que me renova cada pelanca.
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