domingo, 28 de setembro de 2014

nós brincantes

Um trecho de um texto corrido que eu estava escrevendo pra aula de ECO IV (magia gun nela... e além para os entendidos). Bem soltinho e talvez confuso, mas deu vontade de postar aqui procês:

Velhos passos de criança, e também um dinossauro, nas origens da vida, movimento de escamas. Um fantasma de suas memórias, o branco no preto é perolado, o alto grau de concentração em si é beira de loucura: brincadeira flutuante na margem do abismo. Há aí o limite do jogo, quando a disposição na atenção é séria, a diversão pode parecer camuflada e isso é o que parece. Mas esse limite é onde, de fato, a simples presença parece muita coisa – justo por que cada pouquinho de atenção a cada e qualquer coisa, já é grande como um nascimento, e renasce naquela hora de novo. A brincadeira se torna um enorme e sucessivo florescer de brincadeiras. E a brincadeira se torna memória. E a brincadeira há de se nomear de novo fazer – de dentro pra fora. Também de fora pra dentro, ao mesmo tempo.
Vou arriscar dizer que existem alguns princípios elementares da brincadeira. Um deles é o fato de o brincante, indivíduo que brinca ativamente, uma vez em ‘estado de jogo’, não é mais achatado em nenhuma outra definição que a própria de ‘brincante’. Não é homem ou mulher, não é velho nem novo, não é deus nem humano. Apenas atuante ativo ou passivo do jogo. E esse jogo está dentro e fora. Fora por que quem brinca está presente no espaço e dentro por que este tem memórias independentemente de qualquer coisa. Então se torna algum um que ao mesmo tempo em que não é mais o que é – escultura de cicatrizes do tempo na cultura social em que está inserido fora da ‘hora de brincar’ – também continua sendo, pois não ignora e pode se utilizar dos espaços abertos pelas cicatrizes e deixá-los encontrar seus caminhos pelo corpo, não sublinhando a lembrança que passou, mas descrevendo (e descrever também é destruir) essa mesma lembrança que ainda passa, e por isso mesmo pode se modificar a cada momento.

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