Velhos passos de
criança, e também um dinossauro, nas origens da vida, movimento de escamas. Um fantasma
de suas memórias, o branco no preto é perolado, o alto grau de concentração em
si é beira de loucura: brincadeira flutuante na margem do abismo. Há aí o
limite do jogo, quando a disposição na atenção é séria, a diversão pode parecer
camuflada e isso é o que parece. Mas esse limite é onde, de fato, a simples
presença parece muita coisa – justo por que cada pouquinho de atenção a cada e
qualquer coisa, já é grande como um nascimento, e renasce naquela hora de novo.
A brincadeira se torna um enorme e sucessivo florescer de brincadeiras. E a brincadeira
se torna memória. E a brincadeira há de se nomear de novo fazer – de dentro pra fora. Também de fora pra dentro, ao mesmo
tempo.
Vou arriscar
dizer que existem alguns princípios elementares da brincadeira. Um deles é o
fato de o brincante, indivíduo que brinca ativamente, uma vez em ‘estado de
jogo’, não é mais achatado em nenhuma outra definição que a própria de ‘brincante’.
Não é homem ou mulher, não é velho nem novo, não é deus nem humano. Apenas
atuante ativo ou passivo do jogo. E esse jogo está dentro e fora. Fora por que quem brinca está presente no espaço e dentro por que este tem memórias independentemente de
qualquer coisa. Então se torna algum um que ao mesmo tempo em que não é mais o
que é – escultura de cicatrizes do tempo na cultura social em que está inserido
fora da ‘hora de brincar’ – também continua sendo, pois não ignora e pode se utilizar
dos espaços abertos pelas cicatrizes e deixá-los encontrar seus caminhos pelo
corpo, não sublinhando a lembrança que passou, mas descrevendo (e descrever
também é destruir) essa mesma lembrança que ainda passa, e por isso mesmo pode
se modificar a cada momento.
=) brigada zeffe
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