sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Redação sobre o Começo



Um pouco antes do começo eu sempre tenho preguiça. No dia do começo o que eu mais gosto é que meu material escolar esta novinho, a borracha ainda não apagou nada e o caderno ainda tem todas as figurinhas (aquelas que vem na primeira pagina). Eu gosto que no começo ainda não tem tema*.  No começo ainda não tem obrigações, por isso é mais divertido, e eu posso continuar brincando a tarde e vendo o Chaves. Quando acaba este começo (+ o meio e o fim dele), começa o outro começo que SEMPRE começa com o bolo de cenoura com cobertura de chocolate da minha vó, o melhor do mundo todo mais os planetas. Aííí começa o começo de não ter que acordar cedo, de não ter tema de casa, de fazer tudo o que eu quero (ou quase tudo, porque eu queria pular de asa delta e minha mãe não deixou, mas tudo bem eu já tenho um plano pra conseguir convencer ela, não vou desistir)... O começo é sempre legal porque ainda não tem preocupações, obrigações, chateações... No começo todo mundo é amigo. No começo tá tudo novinho. No começo agente não sabe o que vai acontecer.... Bom, e nem depois tbem, neh?!... O começo é doce como o bolo da minha vó. 
Como antes do começo eu sempre tenho preguiça, aí eu rezo ao pé da cama, porque minha mãe disse que Papai Noel não gosta de menina que tem preguiça, e este ano eu quero só um vídeo game, uma bicicleta, um autorama, pular de asa delta, ir no show da Sandy e Junior, um pônei (de verdade),  um iphone, um ipad, uma rede, uma bola de vôlei e um blog. Só isso mesmo. :)
Para isso tenho que ter um bom começo e seguir escrevendo com a letra bonita, porque minha professora disse que só escrevo com letra bonita no começo do caderno... :(
Tia Clarice, quando passa de 10 linhas que agente escreve ainda é começo? Acho que o começo já tá acabando, vou parar senão começam as obrigações e gosto de ser livre. Tchau, querido diário, você é o meu melhor amigo porque nunca discorda de mim! E eu sempre gosto de acertar!  :)

*tema: nome que os gaúchos dão para lição de casa.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Palavra foge


Gastei o tempo da noite passada (Pior seria perdê-lo. ''Não maltrate o tempo!'' avisou Lewis Carrol) com o árduo exercício de escrever sobre o começo. Apaguei e rescrevi muitas vezes. Não é fácil dar forma à um pensamento tão líquido. Escorre por qualquer lado sem deixar vestígios. Suor deve ser isso, ideia que foge pelos poros. Quando a coisa adquire um contorno vem a tromba d'água e num instante faz da água rasa obscura profundeza. Concluo, portanto, que ao fugir covardemente da escrita encontro minha maneira de definir o começo: Estar sempre começando.

É como o uso do lápis. Se dedicarmos 20 anos de nossas vidas a pontilhar uma folha de papel em branco ,com o passar do tempo perceberemos que os primeiros pontilhados desaparecerão. Os rabiscos mais fortes serão os mais recentes. Isso é movimento. Como se os rabiscos antigos acompanhassem a mão de quem desenha, esperando os traços novos para poderem desaparecer. Não haverá página preenchida e mesmo assim persistiremos em manter os pontinhos desenhados. Parecerá que as bolinhas pretas (honrando um nêgo 8B) caminham pelo papel. O último ponto será sempre o primeiro. Entre o ponto que desaparece e o novo existe uma ponte entre experiência e a descoberta.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O começo não existe

O começo da folha é a primeira linha
O começo da fila ta longe de mim
O começo de mim é o sonho
O começo do som
O começo do fio é o homem
O começo da tinta é o chão
O começo da lua é o tempo
O começo do som

sphota


não sei por onde começar. havia alí, naquele vilarejo onde o vento faz a curva, um ser pequeno, de olhos grandes e felinos, fazia algumas caretas estranhas que variavam entre sensações doces e amargas e... seus dois braços mais pareciam asas. descobri que esse ser tinha alma feminina e masculina. atendia pelo nome de sphota, pois havia escolhido sua alma feminina desde o dia em que um raio acertou-lhe em cheio seu seio esquerdo. era estranho observá-la; por vezes demonstrava ter patas firmes como de elefantes, daquelas que soam fincar na terra e movê-la a cada passo que dá - sem falar da quantidades de memórias tão cheias de detalhes que guardava em cada fio de encaracolado cabelo - e por vezes não conseguia parar quieta do tanto que sobrevoava por todos os cantos que seus olhos alcançavam. batia as asas tão rápido. pulsava na mesma rapidez do seu coração (que acontecia de ser um órgão enorme e completamente destrambelhado). certo dia, sphota tava lendo um livro sentada na janela de sua casa na árvore e de repente não conseguia mais ler. olhava para as palavras, mas nenhuma delas parecia fazer sentido. era como se tudo o que ela sempre soubera tivesse se desmanchado em sua mente. começou a ficar ofegante, a sentir uma sensação de asfixia. as lágrimas foram vindo cada vez mais e mais; não conseguia abrir seus olhos pois as lágrimas pareciam pesar sobre eles. depois de alguma horas chorando seu coração foi voltando a pulsar mais mansinho, suas asas que estavam duras de tão tensão foram ficando leves novamente e sua patas, cuidadosamente, fincaram na terra. ao abrir seus olhos percebeu que estava no meio do mar, mas em uma profundidade que era confortável para seu tamanho, no entanto, - para todos os cantos que olhava- só avistava a imensidão do azul e um silêncio profundo. ela se pôs a pensar em todos os porquês possíveis, em como teria parado alí; pensou em tudo o que pode. sentiu um vazio imenso, uma saudade de poder ter ao alcance de seus olhos as raízes que haviam lhe colocado nesse mundo. percebeu, então, que havia morrido. nesse instante em que percebeu sua morte já não havia mais dor, apenas a sensação de estar ainda mais viva. bom, acho que agora eu já sei por onde posso começar...

Começo do Jeffs

O vazio antes
do começo
é mentira.
Rebuliço 
é que funda
ziquizira.
Ziquizira
é a coceira
que inicia a brincadeira
de coçar.
Coçar,
pelo que eu saiba,
é começar.
Comer também começa
a acabar
com a fome.
A raiva 
é o que gera a falta
do começo.
Começo
a começar
pra me perder
do medo.
No entanto
começar
me faz tremer
tão cedo
que nem sei
se comecei
certinho.
E assim,
por fim,
percebo em mim o medo
de acabar
sozinho.