domingo, 16 de novembro de 2014
vô luis
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
o início do mundo
quando o mundo começou, minha vó tocava phillip glass e a vó da bel dançava uma valsinha com as estrelas. depois elas celebraram com guefilte fish e borsh. tudo ria. e vieram todas as montanhas, o céu, as nuvens, as escolas, as sereias, um sanduiche, árvores, baratas, macacos, crianças. e por fim eu e por mais fim ainda, minha irmã. outro dia, minha avó acordou à noite e foi até a biblioteca. ela vive reclamando que os dedos estão durinhos e que é mais difícil tocar. mas ela não falaou nada. sentou e tocou toda a valsinha do início do mundo, que ela nunca esqueceu. no céu lá fora, a vó da bel dançava com as estrelas. tudo ria.
E se?
E se o humano chegou na lua segurando um balão?
E se se o ser humano surgiu do cruzamento de sereia com polvo?
E se o primeiro sanduiche do mundo tiver sido criado pelos pinguins?
E se o mundo começou quando a minha mãe nasceu - eu vi tudo escondido - e depois passou uma nuvem e plantou a minha casa e aí choveram os meus amigos e todos juntos construíram a escola?
E se e se e se?
Como a gente conta a história do mundo através desses olhares?
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Início dos tempos
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No início dos tempos tudo era poeira. As coisas e nós, poeira no espaço. Poeira de estrelas. Poeira das galáxias no infinito e para sempre. Iluminando a escuridão afora, nós nos tornamos estrelas, nos tornamos constelações e toda constelação está presente em cada um de nós. Os átomos do início dos tempos mudaram, pois tudo muda o tempo todo, mas ainda são os mesmos átomos do início dos tempos, que se unem, formam uma coisa, morrem, desunem e juntam noutra coisa de novo. E assim as coisas nascem e morrem...Somos o que quisermos ser. Peixe na água, passarinho que bebe a água do peixe, árvore que é a casa do passarinho, fruto saboroso e gosmento da árvore, somos uma pelanca da vovó bruxa... Enfim, o que eu apenas estou tentando dizer para vocês é: um átomo que um dia esteve no rabo de um dinossauro, hoje pode estar no músculo do seu coração.
Duas versoezitxhas ☺️
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
salinas, 1997
alcindo cacela 1112
quatro andares de corrimão escorrega bunda, com algumas pausas para voos em janelas baixas de paredes azuis e superfícies-frias-moradas-de-baratas. e a mila latindo e correndo. as escadas tomavam conta dos caminhos da casa e eram elas o chão-obstáculo que os patins iam suaves, nem se pensava se haveria lugar próximo dalí que fosse mais "apropriado" para as rodas azuis e violetas. e a mila latindo e correndo. pausa para comer uma ruffles com ketchup. e a mila latindo e esperando com a língua pra fora. no mezanino mamãe papai riam ao ver o universo que carregavam nos olhos. a rede de segurança era pula pula peludo de rinite a coceira nos olhos, mas tudo bem, depois a gente tomava um banho. e a naza só sorria e nos amava com o amor mais generoso desse mundo.mas enquanto isso, ney, faz fotos... depois elxs crescem. registra agora. passa tão rápido. vittória já ralou o joelho direito de novo a mila já tá batendo a porta do lavabo pro amigo imaginário dela. crianças, bora tomar banho e dormir. mas não antes do nescau gelado com bolacha cream crack com manteiga. com a roupa do trabalho (calça marron, cinto e a blusa que eu sonhava no sonho de retorno), papai vinha ler um capítulo de "o livro das virtudes para crianças". com a roupa do trabalho (calça cinza, blusa branca, tamanco marron e cordão verde que hoje carrego comigo) mamãe vinha dar boa noite, dizer - me enchendo de cheiros - que o quarto tava bagunçado e que não era pra eu - de novo! - ficar acordada até tarde... tantas cores já pintaram esses paredes. tantos quadros já foram separados junto com amores que também separam. a miloca já virou anjo da guarda. a vontade de ser gente grande me levou mundo a fora, fora das paredes de casa... esse vai pra mais uma página do diário.
sábado, 11 de outubro de 2014
um a um
início




