terça-feira, 30 de setembro de 2014

manolito de barros

"Toda vez que encontro uma parede
ela me entrega às suas lesmas.
Não sei se isso é uma repetição de mim ou das
lesmas.
Não sei se isso é uma repetição das paredes ou
de mim.
Estarei incluído nas lesmas ou nas paredes?
Parece que lesma só é uma divulgação de mim.
Penso que dentro de minha casca
não tem um bicho:
Tem um silêncio feroz.
Estico a timidez da minha lesma até gozar na pedra"

livro das ignorãças. são 18 páginas. vamos ler tudo!
pdf: http://comvest.uepb.edu.br/concursos/vestibulares/vest2013/Manuel_de_BarrosO_Livro_Das_Ignoracas.pdf

domingo, 28 de setembro de 2014

nós brincantes

Um trecho de um texto corrido que eu estava escrevendo pra aula de ECO IV (magia gun nela... e além para os entendidos). Bem soltinho e talvez confuso, mas deu vontade de postar aqui procês:

Velhos passos de criança, e também um dinossauro, nas origens da vida, movimento de escamas. Um fantasma de suas memórias, o branco no preto é perolado, o alto grau de concentração em si é beira de loucura: brincadeira flutuante na margem do abismo. Há aí o limite do jogo, quando a disposição na atenção é séria, a diversão pode parecer camuflada e isso é o que parece. Mas esse limite é onde, de fato, a simples presença parece muita coisa – justo por que cada pouquinho de atenção a cada e qualquer coisa, já é grande como um nascimento, e renasce naquela hora de novo. A brincadeira se torna um enorme e sucessivo florescer de brincadeiras. E a brincadeira se torna memória. E a brincadeira há de se nomear de novo fazer – de dentro pra fora. Também de fora pra dentro, ao mesmo tempo.
Vou arriscar dizer que existem alguns princípios elementares da brincadeira. Um deles é o fato de o brincante, indivíduo que brinca ativamente, uma vez em ‘estado de jogo’, não é mais achatado em nenhuma outra definição que a própria de ‘brincante’. Não é homem ou mulher, não é velho nem novo, não é deus nem humano. Apenas atuante ativo ou passivo do jogo. E esse jogo está dentro e fora. Fora por que quem brinca está presente no espaço e dentro por que este tem memórias independentemente de qualquer coisa. Então se torna algum um que ao mesmo tempo em que não é mais o que é – escultura de cicatrizes do tempo na cultura social em que está inserido fora da ‘hora de brincar’ – também continua sendo, pois não ignora e pode se utilizar dos espaços abertos pelas cicatrizes e deixá-los encontrar seus caminhos pelo corpo, não sublinhando a lembrança que passou, mas descrevendo (e descrever também é destruir) essa mesma lembrança que ainda passa, e por isso mesmo pode se modificar a cada momento.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

pipocanduba

pipocanduba - o sanduba de pipoca, aquele que nos traz ideias pipocantes!

esse é o melhor sanduíche do mundo, de todas as galáxias pipocáveis possíveis e existentes. é aconselhável comê-lo, no mínimo, uma vez ao dia pelo simples fato de que: ele é um grande dispositivo de ideias! para aqueles que ainda não sabem, o milho é um alimento sagrado em várias culturas. se o milho já é sagrado, imagine a pipoca!!!!! a transformação revolucionária do milho!!!! é a maravilhosidade em forma de florzinhas brancas, macias e amorosas. maaaaas, se você não o fizer com amor... pipocas queimadas e tristes irão lhe assustar durante a noite (TANDANDANDANNN).

1° passo;

coloque o seu rock'n'll favorito pra tocar; (não se prenda à uma música apenas; aqui é permitido que existam muitos rocks favoritos e o meu do dia é: https://www.youtube.com/watch?v=9GkVhgIeGJQ). é ele que dará início as energias transformadoras e mágicas. as ondas sonoras entram em sintonia com as ondas guloseimicas do milho. essa vibração é o rock, rock geral até mais tarde e sem hora marcada (VERMELHO;Barão)!!!!

2° passo:

ingredientes pipocáveis!
milho a gosto
manteiga a gosto
cheddar a gosto
pão de gergelim (37 cm)


3º passo:
VAMOS METER A MÃO NA MASSA, DIGO, NA PIPOCA E DEIXE O ROCK'N'LL ROLAR!!!
pegue o pão de 37cm e dance com ele! diga pra ele o quanto ele é maravilhoso por receber milhos! após esse ritual, pegue a manteiga e passe com a mão (com a mão!! isso é importante pois você imprime no pão as suas positives vibrations yeah) em tooodo o pão. uma vez que você passou bastante manteiga no pão todinho, você pega o milho! vá colocando milho em todo o pão, por dentro, por fora, nas pontas. várias, várias camadas de milho!
depois de colocar a quantidade mais exorbitante de milho você coloca 3 fatias de cheddar na parte interior do pão. opa!!! já estamos quase chegando lá. com nossa obra-prima-pipocanduba montada, é preciso abraçá-la, acariciá-la e dançar durante o tempo que achar necessário. feito isso, você coloca o pipocanduba em uma superfície de sua preferência e leve para a fogueira. assista ao show pipocan'roll das pipocas pipocando, pipocando, pipocando, pipocando... e ficando cada vez maiores e mais quentinhas e mais juntinhas e mais amanteigadinhas!!!! e não sofra ao ver os milhos virando pipoca, as mudanças acontecem!!! quando você perceber quer todos os milhos que estavam grudados ao pão de gergelim de 37cm estiverem pipocados... PRONTO! chegou a hora de deliciar-se e atravessar todas as dimensões imagináveis. e, pode ter certeza, ideias incríveis estarão à caminho... =)

Assinado: Vittória com dois t's e acento no o.

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"(...)
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.
(...)
Quanto às pipocas que estouram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira."

Rubem Alves

ta rolando beatles na sala

Ta rolando Beatles na sala. Meu corpo dança na cama. É bom acordar com Beatles apesar de não gostar da banda cover do meu pai. Todos policiais que tocam Beatles nas horas vagas. Falando em vagas essa noite eu não catei vagalume e tive pesadelo. Sonhei que eu estava num aeroporto de vagalumes. Pessoas vagalumes. Aí, chegava o avião e todos iam só que eu ficava entalada numa cadeira de criança. Comecei a lutar com a cadeira e quando consegui me libertar fui numa velocidade de aquaplanagem e ultrapassei todo mundo. Isso é quando vc perde o contato com o chão mas não voa. Acontece que só eu cheguei a tempo de pegar o avião. Fui sozinha. Fiquei apavorada. Não sei nem ir no Largo do Machado sozinha. Mas quando entrei estava em um avião de dinossauros. Dinossauro com pasta de trabalho, bebes dinossauros, tinha até uma banda de dinossauros que viajava em turnê e aproveitava para dar a última ensaiada. Olhei pra baixo e vi que os vagalumes se organizavam em uma enorme fila para o próximo voo. Pensei que eu ia comer antes deles e acordei com fome. Vou preparar minha poderosa e cheia de saúde bisnaguinha. Pão bisnaguinha com queijo parmesão ralado, no forno com gotinhas de Nutella. To com cara de tesão. Aprendi o que é tesão ontem. Tesão é quando vc sente uma coisa muito boa e a cara não engana.

Sanduíche Amanteigado

Pegue um sonho bom. Não é de creme e açuquinha como o da padaria. É de noite de vagalumes na janela da vovó. Vagalumes são bons à noite pra se sonhar bem. Eles iluminam a imaginação dentro da cabeça quando o quarto está escuro e você está dormindo. E por que não está mais escuro lá dentro de dentro do crânio, não dá pra ter medo e pesadelo. Então é assim: você pega um pote de vidro, cata os vagalumes – bastante vagalumes – e prende eles ali dentro, até porque eles não vão ficar ali voando a noite inteira do lado da janela da vovó. E é preciso que eles iluminem todo o sono para que o sonho inteiro não tenha nem uma partezinha ruim. Basta colocar o pote com os bichinhos na cabeceira da cama. Prenda o pote com uma tela com furinhos para que eles possam respirar – você vai soltá-los de volta pra natureza no dia seguinte. E daí você pode dormir. Dorme tranqüilo com a certeza de que esse sonho vai ser um sonho bom.
No dia seguinte você vai acordar leve e feliz. O sonho vai estar nítido, iluminado e reprisando sem parar na sua memória. Pegue o pote, leve até a janela da vovó, solte os vagalumes – não se preocupe, alguns não sobrevivem mesmo, é normal – e daí você precisa ser rápido. Jogue os vagalumes e tampe o pote! Tem que conservar a essência da presença deles, não pode deixar sair. E aí mais uma vez você tem que ser rápido. Você vai abrir o pote e colocar o seu sonho dentro! Uma batidinha com a cabeça de leve e o sonho entrou, e você fechou, e ele ficou lá dentro, flutuante e fantasmagórico... mas perolado!
A essa altura, sua mãe vai estar te gritando lá em baixo pra você descer pro café da manhã. Desça as escadas, como quem não quer nada, leve o pote escondido, para evitar explicações complicadas de se desenvolver, sente ao lado da tua irmã como todo dia, dê bom dia pra sua mãe e pra todo mundo como todo dia, mostre língua pra sua irmã porque você está feliz, tome um gole do Nescau como todo dia, pegue o pão francês do saco, corte, passe manteiga e espere as pessoas se distraírem.
Quando não tiver ninguém olhando, você pega o pote e despeja o sonho numa das bandas do pão amanteigado. Você tem que buscar um momento pra fazer isso bem logo, porque senão corre o risco do sonho coagular no pote. E daí então, você vai comer o melhor sanduíche que você já comeu em toda a sua vida humana.
Além do gosto ser o melhor gosto de toda a sua existência humana, justamente por que é feito das melhores coisas imagináveis, o melhor sanduíche do mundo é uma fórmula bastante concreta para tu te tornares um super-herói. Mesmo que apenas por uma tarde – tempo que o organismo leva pra fazer digestão e renovar o sangue.
Cientificamente, o que acontece quando você come o melhor sanduíche do mundo é: em primeiro lugar, a manteiga no pão irá bezuntá-lo de uma camada escorregadia, o que fará com que, quando ele atingir o estômago, o suco gástrico não consiga corroer muito bem os bons sentimentos com seu ácido destruidor acoplanágico. Ele passa praticamente intacto para o intestino e daí, microcosmicamente, para o sangue. Nesse momento, você, aqui do lado exterior do seu corpo, vai conseguir sentir lá dentro o poder correr nas veias e artérias. Cada glóbulo vermelho vai ser tomado pelo poder imaginativo do sonho fazendo de imaginação e realidade a mesma coisa dentro de você. Resumindo: seu poder será de fazer viver os sonhos bons da sua imaginação.
É importante ressaltar que o que entra no sangue não é o sonho específico que você teve de noite, mas o poder místico dele. O próprio poder de ser sonho. E sem açúcar.
Agora, alguns minutos após a ingestão DELE, você vai sentir modificações energéticas corporais e, de repente, você e sua família não vão mais se mudar de casa, e vão viver ali para sempre, vizinhos do seu melhor amigo, passarinhos cantando de dentro da árvore que invade a varanda, e virando a mesa da cozinha pra comer siri quando voltando de Angra. Sua irmã não vai nem entender, por que os poderes do irmão mais velho não mais funcionarão e você vai acordar em cima da hora pra escola, por que num piscar de olhos você já estará lá, e seus professores vão ser os mais legais e vão deixar você brincar de estudar a matéria que você mais gosta, e a matemática, que é obrigatória, você já vai ter terminado, e vai saber tudo de cor, inclusive a tabuada do nove e a diferença das figuras geométricas. E quando você acordar mais cedo, dá pra ir voando por aí saindo da janela da vovó sem ter que ouvir ela reclamando pra você não se debruçar na janela e nem dizer que já viu um menino morrer assim. Esse momento vai estar cheio de finais felizes, e é só você escolher. O único problema é que são tantos que na hora você fica um pouco sem saber o que escolher. Mas é só ouvir o que o seu coração diz, como sua mãe sempre costuma dizer e você nunca entende o que isso significa. Pode ficar tranqüilo que, dessa vez, os conselhos metafóricos da mamãe vão funcionar como um macete no vídeo-game – dois pra trás, um pra frente + B/ C pra frente + QUADRADO.

A dica foi dada, e espero que vocês compartilhem segredo. Não são todos que podem ter acesso a essas informações. Elas são extremamente sigilosas. Imagina se isso cai nas mãos de um adulto. Sai de baixo. Pode se uma catástrofe, uma hecatombe. E por isso também, nunca nos refiramos a tal receita mágica como sanduíche de sonho, ou coisa parecida – não queremos correr esse risco. Eu costumo chamar de “sanduíche amanteigado”. Se servir pra vocês...


PS: tem um áudio aqui que eu não sei postar junto. Parece que não dá :(

terça-feira, 23 de setembro de 2014

peça-cadeira

Estava aqui, estudando pra nossa peça e me deparei com um trecho, no texto "A Moralidade do Brinquedo", do Charles Baudelaire:


Todas as crianças falam a seus brinquedos; os brinquedos transformam-se em atores no grande drama da vida, reduzido pela câmara escura de seus pequenos cérebros. As crianças testemunham por seus jogos sua grande faculdade de abstração e sua alta potência imaginativa. Elas brincam sem brinquedos.
O eterno drama da diligência representada com cadeiras: a diligência-cadeira, os cavalos-cadeiras, os viajantes-cadeiras; o condutor é o único vivente! A parelha permanece imóvel, e, apesar disso, devora com uma rapidez ardente os espaços fictícios. Que simplicidade de encenação! E não há aí o suficiente para fazer corar pela sua impotente imaginação esse público pervertido que exige dos teatros uma perfeição física e mecânica, e não concebe que as peças de Shakespeare possam ser belas num esquema de absoluta simplicidade?


Sorri, lembrei de vocês, atores-cadeiras, e da simplicidade em que me atiraram e que me comeve a cada encontro e que me renova cada pelanca.






terça-feira, 16 de setembro de 2014

X - MAXI (o melhor sanduíche do mundo)


Para fazer o melhor sanduíche do mundo você não pode ter pressa. Você não pode tratar mal as pessoas e nem ser demasiado vaidoso. Mas você não precisa de muito dinheiro, o melhor sanduíche do mundo está disponível por apenas 1 real em todas as bancas, padarias, farmácias, cinemas, praias e praças da cidade. Sai mais barato comprar na rua do que fazer em casa.

Ingredientes:

1 hamburguer do Bob's
1 filé mignon
1/2 frango caipira assado
1 linguiça de churrasco
1 pote de palmito em conserva
1 cadinho de raviolli de queijo
1 esfiha de queijo do habib's
1 folha de rúcula
1 folha de hortelã
1 bola de sorvete de flocos
1 bola de sorvete de morango
1 bola de sorvete de tapioca
1 tapioca com queijo coalho
1 cadinho de cereja
1 cadinho de chantily
1 Kinder Ovo Maxi (você não vai utilizar o brinquedinho que vem dentro, jogue no vaso e dê descarga)
Orégano a gosto
Parmesão ralado a gosto

Um jogo americano, um copo, um conjunto de talheres, um prato e um guardanapo. Você só deve utilizar o mesmo material, Lego. O guardanapo pode ser de papel.

Modo de Preparo:

Acrescente em uma das cascas do Kinder o hamburguer, o filé, o frango, a linguiça, o palmito, o raviolli e a esfiha. Na outra casca, acrescente as bolas de sorvete, a tapioca, a cereja e o chantily. Utilize a folha da rúcula entre as cascas, separando-as, como um divisor de águas. Pronto, o sanduíche está fechado. É importante que a parte superior seja a do hemisfério dôce. Para encerrar, pingue um cadinho da calda da cereja no sanduíche e acrescente a folha de hortelã e o parmezão ralado. Eles ficam colados na calda, sacou?

É isso.

Dizem que na receita original o sanduíche deve pegar 20 segundos de chuva antes de ser devorado, mas eu acho que isso é frescura.