quarta-feira, 25 de março de 2015

O Buraco do Bigo - Rafo


Rafa: Eu conheci uma menina que conheceu uma menina que de tanto olhar pro próprio bigo, entrou pra dentro dele. Primeiro a cabeça, depois os dedos, braços, tronco, pernas. Nunca mais ela saiu. Antigamente era comum as pessoas terem mais de um bigo. Eram dois ou três bigos. Hoje todo mundo só tem um, ai o nome ficou  assim: umbigo. Fico pensando que se a menina morasse no tempo em que as pessoas tinham mais de um bigo, talvez ela não tivesse entrado pra dentro dele. Ou tivesse que se dividir para entrar nos bigos. Será que no futuro a gente não vai ter mais nenhum bigo? Aí a gente vai poder olhar só pra frente. E vamos ver coisas que a gente não viu, porque estávamos muito ocupados olhando pro bigo. Pra não deixar a vista fugir a gente pisca o olho. Pronto. Esse é o segredo de guardar pra dentro o que a gente tá vendo lá fora. De olhos fechados, a gente pode ver tudo! É só abrir as gavetinhas das lembranças que ficam atrás da cabeça, arrancar as imagens e jogar pelas janelas das invençõens, que fica na frente da cabeça. UAU. Todo um mundo velho novo só seu.?

terça-feira, 24 de março de 2015

metendo o dedo no começo dos tempos (veja, tia claris)


Vanessa: No começo dos tempos tudo é poeira. Poeira, que os cientistas preferem chamar de átomos. Esses átomos são como pontinhos bem pequenininhos, tão pequenos que a gente nem consegue ver. Agora imaginem vários desses pontinhos soltos vagando por aí. Se a gente liga esses pontos, uma forma se cria. E dependendo de como a gente liga, outras novas formas podem surgir. As opções de caminho são infinitas, e tentando todas dá pra desenhar tudo o que existe.

 

Os átomos são ingredientes fundamentais para cozinhar todas as coisas e nós. Só nesse meu corpo magro, são 7 (fazendo as contas) milhões trilhões octilhões de pontinhos que se juntaram criando eu. E tudo é feito dessa poeira de átomos. Pedra, papel, tesoura, macaco, água. Tudo o que existe só existe porque pontinhos foram ligados e criaram a sua forma.

 

Fê: Antes deles se ligarem, a poeira ficava espalhada e o espaço ficava todo sujo, empoeirado! Pontinhos por todos os lados. Nada existia ainda a não ser essa poeira que com o tempo foi virando tudo que a gente conhece. O espaço, as galáxias e o infinito com seus átomos todos bagunçados! Antes do começo a gente é essa poeira de cometa, e das coisas que existem láaaa longe. A gente vira planeta em órbita, constelações, que são várias estrelas juntas, o sol! Com o tempo, os pontinhos nos separam e nos ligam de outro jeito ou a outros pontinhos e viramos as montanhas, os mares, dinossauros. Pedacinhos de nós espalhados por tudo que existe. Como uma massinha que podemos amassar e transformar numa rosquinha. E se essa rosquinha grudar em outra rosquinha, elas viram o número oito, que se levar um peteleco, cai e vira o oito deitado, ou o infinito.

Esses pontinhos, que os cientistas chamam de átomos, se juntam e se separam a outros pontinhos o tempo todo. As coisas que deixam de existir, se transformam em coisas novas que estão nascendo. TUDO se transforma. Assim, aquele átomo que estava na ponta do rabo do dinossauro, virou coisa, desvirou, virou outra e agora pode estar no músculo seu coração. É só a gente ligar os pontos.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Quando eu abri a gaveta, não tinha nada.
Meu pai tinha levado tudo
tudo daquela gaveta que eu sabia que era só dele.
Quando eu fazia desenhos na escola pro dia dos pais, eu fazia 3.
E colocava na gaveta.
Na gaveta tinha:
cartas, desenhos, um pijama azul, algumas roupas, um relógio e fitas VHS.
Era o único espaço que era dele em toda casa.

Depois não tinha nada.

Um dia eu tirei a gaveta pra fazer de outra coisa
e não coloquei de volta
então um buraco ficou pra sempre no armário.

Não sei

Um dia meu pai me deu um cavalo de presente
Um cavalo que eu nunca vi.
Mas pensava que eu tinha um cavalo sem nome, em algum lugar.

Mas o que me dava buraco mesmo, era baleia
Tinha um medo danado
Ninguém falava que era impossível ter uma baleia na praia
Eu perguntava se era impossível
Falavam, "impossível não é"

Hoje eu vejo que esses buracos,
de saudade e de medo das coisas grandes,
é um buraco que a gente guarda em algum lugar, numa gaveta da gente
e que termina no nó do umbigo.


domingo, 22 de março de 2015

(esse título é um buraco)

buraco negro
buraco de minhoca
buraco do eco
buraco da fechadura
buraco do umbigo
buraco da gaveta
buraco no estômago
buraco que abre e não se fecha

buraco que fica na barriga
que dói no peito
buraco de falta
de ar
de vontade
de quem foi e não volta
do que foi e que volta sempre

Como preencher o vazio?

sábado, 21 de março de 2015


Sinto um vazio aqui às vezes. Muitas vezes, como se eu estivesse sozinho, mesmo junto de todas as coisas. Uma solidão que faz ir caindo num buraco do infinito. E eu sou tão pequenininho que ninguém pode reparar que eu caio. Ninguém nem me percebe por aqui mesmo. E quando percebe me puxam as calças, me contam que não existe quem criou, que os avós são todos mentiras, me dizem tantas coisas que nem com o objeto aqui vendo por trás consigo mais diferenciar as verdades e mentiras. E eu grito para eles, para eles não mentirem para mim, pra nunca mais esconder as coisas da criança, por que a criança lida melhor com as verdades do que qualquer um aí que fica se desmilinguindo só por causa de bubiça, por causa de uma dança qualquer, por causa das verdades de uma cadeira. A criança aqui é mais forte que todo mundo junto. Ela tem poder. Eu vou lá e lhe solto um magiagam nas fuça dos mentirosos, abro uma fissura no espaço tempo, onde posso ver minha rua em câmera lenta, vista como dentro de uma redoma, uma bolha, as pessoas rindo nas minhas costas e eu observando tudo às costas delas. Então, me viro de costas praquele pequeno planetinha vagaroso e caminho. Vou procurar uma rua pra mim. Vou me sentar na bordinha do horizonte - como fez minha avó dentro da história dela - e, quem sabe então eu voe se der um impulso pra frente. Eu tenho minha trouxa com todas as coisas que preciso. Conservo nela minha mente saudável. Não vou nunca me tornar um mentiroso. Não vou ser outra pessoa. Guardo minha mente bem guardada e assim posso continuar criança a vagar por aí enfrentando as maldades do mundo da maneira mais pura e sincera que é como sou.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O começo dos tempos - com uma pitadinha de poesia

Fê se senta na cadeira e observa a plateia. Atrás dela, todos começam a soltar os seus instrumentos. Silenciosamente Vanessa se aproxima pelas costas da Fê e tampa seus olhos.



Vanessa: O que você tá vendo?



Fê: Não to vendo nada, ué



Vanessa faz como quem vai desistir da brincadeira, mas Fê aperta a mão da amiga contra os seus olhos.



Fê: Peraí, to vendo! Tem um gatinho bebendo leite. Um sacão e pipoca com asas enormes. Que isso! Gente, isso é pipoca ou pedra? Elas tão se batendo! Cuidado! Uma cadeira passou raspando. Tá chovendo, Vanessa, olha! Quanta água! É o mar mar! Eita. Olha tu ali, bem velha. Você tem uma calda de sereia! Viu esse peixe? UAU! Que buraco enorme! Acho que é um bolo de chocolate, que recebeu um furo gigante feito por um dedão enorme. Tá saindo uma fumaça quentinha, gostosa. Tá chegando mais perto! Olha pra isso menina! Tem de tudo lá dentro. Buraco negro, buraco de minhoca. Acho que é onde começou tudo! Tá muito perto, Vanessa, ele vai me engoliiiiiiiiiiiiiiiiiii BU!



Enquanto As meninas falam o texto, os outros passam por traz da cena, em fila, investigando o caminho da evolução dos animais e suas suspensões poéticas.



Vanessa: No começo dos tempos tudo é poeira. Poeira, que os cientistas preferem chamar de átomos. E nós, que temos licença poética, escolhemos chamar de pontinhos. Poeira. Átomos. Pontinhos. Agora imaginem vários pontinhos! Dependendo do jeito que a gente liga esses pontos, uma forma nova se cria. As opções são infinitas, e é assim que se desenha tudo o que existe. Os átomos são ingredientes fundamentais para cozinhar todas as coisas e nós. Só nesse meu corpo magro, são 7 (fazendo as contas) milhões trilhões octilhões de pontinhos. Tudo é feito dessa poeira de átomos. Tudo o que existe só existe porque seus pontinhos foram ligados e criaram a sua forma.



Fê: Antes deles se ligarem, a poeira ficava espalhada e o espaço ficava todo sujo, empoeirado! Pontinhos por todos os lados. Nada existia ainda a não ser essa poeira que com o tempo foi virando tudo que a gente conhece. O espaço, as galáxias e o infinito com seus átomos todos bagunçados! Antes do começo a gente é essa poeira de cometa, e das coisas que existem láaaa longe. A gente vira planeta em órbita, constelações, que são várias estrelas juntas, o sol! Com o tempo, os pontinhos nos separam e nos ligam de outro jeito ou a outros pontinhos e viramos as montanhas, os mares, dinossauros. Pedacinhos de nós espalhados por tudo que existe. Como uma massinha que podemos amassar e transformar numa rosquinha. E se essa rosquinha grudar em outra rosquinha, elas viram o número oito, que se levar um peteleco, cai e vira o oito deitado, ou o infinito.

Esses pontinhos, que os cientistas chamam de átomos, se juntam e se separam a outros pontinhos o tempo todo. As coisas que deixam de existir, se transformam em coisas novas que estão nascendo. TUDO se transforma. Assim, aquele átomo que estava na ponta do rabo do dinossauro pode estar hoje no músculo seu coração. É só a gente ligar os pontos.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Quem fez o buraco? - Rafa e Sérgio

Rafa: Vamos resolver isso aqui. Alguém tem que ter aberto esse buraco. Buracos não se abrem sozinhos. Parede normal de gesso. Feita a mão em 1999. E aqui, tábua corrida, feita na indústria em 1992. Aquela lâmpada ali vai queimar

Sérgio: Ué, vê pra trás ou vê pra frente?

Rafa: Vê pra trás, mas eu vi que todas as outras queimaram, então essa vai queimar também.

Sérgio: Suspeitos!

Rafa: Sim!

Vão até uma pessoa e comentam.

Rafa: Aquela menina. Ih, rapá, olha só!

Sérgio (puxa o guarda-chuva pra ele): Deixa eu ver. Haha é mesmo! Aquele ali! Quem é esse aqui, seu irmão?

Rafa: Eu, eu! (pega de volta o guarda chuva, aponta para o Sérgio) Ih. Que isso? Que isso.

Sergio rapidamente coloca o capacete na cabeça

Sérgio: O que?

Rafa: Agora eu não consigo mais ver. Mas eu te vi todo branco de pó de parede, no dia 23

Sérgio (puxa o guarda-chuva de volta pra ele): Deixa eu ver isso aqui. (Rafa pega o capacete) Olha só!! Do lado da parede no dia 24.

Rafa (coloca o capacete): que que tem dia 24? é aniversário da minha mãe.

Sérgio: Tira o capacete que eu não to conseguindo ver! Você tava todo sujo de parede, do lado da parede, não tava no aniversário da sua mãe, não. Ó, tira o capacete (Rafa tira). Olha lá! (Rafa põe).

Rafa: Cara, isso aí é porque congelou a última imagem que eu vi. Que foi você do lado da parede

Sérgio: Você do lado da parede!

Rafa: Eu tava no Aniversário da minha avó.

(Rafa e Sérgio falam ao mesmo tempo, enquanto roubam o guarda-chuva e o capacete um do outro. Comentam no meio “olha só” “to vendo” e outras coisas relacionadas a dinâmica de colocar e tirar o guarda-chuva e capacete. O texto é verborrágico e os meninos devem acrescentar o que quiserem a ele. Estou fazendo uma sugestão que em algum momento comecem a falar só “etc”. Fica a critério de vocês. Vale a pena expetimentar.)

Sérgio: achei que você tinha dito que a sua avó era capricorniana. Eu acho que você tá mentindo você quebrou a parede e fez todo mundo acredtar que não tinha sido você quando na verdade, eu vi você lá, todo branco. Etcétera, etcétera, etcétera, etcétera, etcétera

Rafa: ascendente em capricórnio... é que depois dos 60 inverte e o seu signo vira o seu ascendente e vice versa. você tá tentando desviar o foco. Todo mundo agora já sabe que foi você. Na hora que eu descobri, você tentou inerter. Etcétera, etcétera, etcétera, etcétera, etcétera.

Discutem até se transformar em Frederico e Gullar.

Frederico: Foi você que fez o buraco.


Gullar vira uma bolha, e quando encosta no frederico, ele vira uma bolha também. Dançam como bolhas, até esvaziarem. Sergio dá o texto do “não fui eu”.

terça-feira, 17 de março de 2015

simplificando o começo dos tempos

Fê se senta na cadeira e observa a plateia. Atrás dela, todos começam a soltar os seus instrumentos. Silenciosamente Vanessa se aproxima pelas costas da Fê e tampa seus olhos.

Vanessa: O que você tá vendo?

Fê: Não to vendo nada, ué

Vanessa faz como quem vai desistir da brincadeira, mas Fê aperta a mão da amiga contra os seus olhos.

Fê: Peraí, to vendo! Tem um gatinho bebendo leite. Um sacão e pipoca com asas enormes. Que isso! Gente, isso é pipoca ou pedra? Elas tão se batendo! Cuidado! Uma cadeira passou raspando. Tá chovendo, Vanessa, olha! Quanta água! É o mar mar! Eita. Olha tu ali, bem velha. Você tem uma calda de sereia! Viu esse peixe? UAU! Que buraco enorme! Acho que é um bolo de chocolate, que recebeu um furo gigante feito por um dedão enorme. Tá saindo uma fumaça quentinha, gostosa. Tá chegando mais perto! Olha pra isso menina! Tem de tudo lá dentro. Buraco negro, buraco de minhoca. Acho que é onde começou tudo! Tá muito perto, Vanessa, ele vai me engoliiiiiiiiiiiiiiiiiii BU!

Enquanto as meninas falam o texto, é necessário entender que imagens se criam para colaborar com a compreensão do texto.

Vanessa: No começo dos tempos só existia poeira. Poeira, que os cientistas preferem chamar de átomo. E nós, que temos licença poética, escolhemos chamar de pontinhos. Agora imaginem vários pontinhos. Dependendo do jeito que a gente liga os pontos, uma forma nova se cria e como as opções são infinitas, podemos desenhar tudo o que existe. Os átomos são ingredientes fundamentais para a formação das coisas e de nós. Tudo é feito dessa poeira. Todas as coisas são montinhos de milhões, bilhões, trilhões de átomos. Tudo o que existe só existe porque seus pontinhos foram ligados e deram forma a um contorno.

Fê: Antes deles se ligarem, a poeira ficava espalhada e o espaço ficava todo sujo de pontinhos. Nada existia ainda e a não ser essa poeira que com o tempo foi virando tudo que a gente conhece. Antes do começo a gente é essa poeira sem forma, pontinhos sem conexão. E os pontinhos se juntam pra formar um cometa e todas aquelas coisas que existem láaaa longe. Se tornam constelações, que são várias estrelas juntas. Com o tempo, os pontinhos se separam e se ligam de de outro jeito ou a outros pontinhos formando uma coisa nova. Como uma massinha que podemos amassar e transformar numa rosquinha. E se essa rosquinha grudar em outra rosquinha, elas viram o número oito, que se levar um peteleco, cai e vira o oito deitado, ou o infinito.
Esses pontinhos, que os cientistas chamam de átomos, se juntam e se separam a outros pontinhos o tempo todo. Assim as coisas que deixam de existir, se transformem em coisas novas que estão nascendo. Assim, aquele átomo da ponta do rabo do dinossauro pode estar hoje no músculo seu coração. É só a gente ligar os pontos.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Máquina de fazer estrelas - Jeff

Uno...
cada vez que a minha avó conta uma história, ela inventa o mundo
Dos...
ser avó é plantar todos os pedaços de si nas coisas até virar poeira de espaço, poeira de estrela
Tres...
o átomo do rabo da minha avó está no músculo do meu coração
...
Antes de tudo vieram as avós. A minha era a mais famosa ladra de glacê de bolo de aniversário. Dos dedos dos átomos da Vó Dona Rachel fez-se um piano. E pra cada tecla que ela apertava nascia uma coisa. A terra, as montanhas, o céu, as nuvens, a lua, as escolas, as sereias, sanduiches, árvores, baratas, dinossauros, macacos, crianças. Na hora do chá, ela se reunia às outras avós e avôs para um chá com os dinossauros onde combinavam todas as invenções. Cada um tinha um jeitinho de criar coisas. A vó Lindalva só precisava imaginar bem forte, o vô Luiz modelava as estrelas, a vó Dulce cozinhava as ideias, o vô Chico fazia de madeira. Zenilda, Darcy, Alice, Waldeci, Ney, Luiz, Elma, Seu Nunes, Sonia, Salli, Lofo, Francisco, Dora, Chico, Bernadete, Nensinha, Rachel, Lourdinha, Fred, Antônio Carlos, Alexandre O Grande, Tutankamon, todos os avós foram responsáveis pela criação de tudo. 

Um dia, as avós estavam dando um rolé na avenida principal da lua, quando viram um espetáculo de luzes vindo da Terra. Meteoros de todos os tamanhos dançavam com o planeta, em abraços, colisões, sufocamentos, explosões. De lá os dinossauros se despediam em piruetas e cambalhotas, virando poeira de novo. elas sentaram na bordinha da lua, abriram uma pipoca, colocaram seus óculos escuros e assistiram a tudo. No fim, se levantaram, bateram uma mão na outra, pra limpar o sal, tiraram os óculos e sacudiram as pelancas. Sabiam que teriam muito trabalho pela frente.




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IMAGEM PARA O FUTURO: silhueta de todas as avós sentadas de óculos escuros no fundo do palco assistindo aos meteoro

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nomes de avós
Jeff - Lindalva e Zenilda. Darcy e Adolfo
Vittoria - Alice e Waldeci. Ney e Luiz
Vanessa - Elma e Seu Nunes
Rafa - Sonia e Salli. Lofo e Francisco
Fernandinha - Dora e Chico (ou Vieira)
Juliana -  Bernadete Nensinha e
Clarice - Rachel e Lourdinha. Fred, Antônio Carlos e Alexandre

terça-feira, 10 de março de 2015

BIGORNA - Rafa

É curioso. Eu tava lembrando a origem da palavra bigorna - aquele ferro pesado que é base para a construção de ferramentas e que os desenhos animados jogam do precipício.
Antigamente era comum as pessoas terem mais de um bigo. Eram dois ou três... e os dragões tinham até sete bigos. Às vezes acontecia de cair esse bigo e de tão pesado, ele abria uma cratera no chao. Um verdadeiro buraco. Hoje ainda tem um que é um centro de visita turística em Portugal.
A Bigorna foi inventada pela inglesa Mirna Homer no século XVII, que era muito fã de dragões, que obviamente já estavam extintos há alguns séculos. Quando a Mirna criou a bigorna, ela pensou em homenagear os dragões ou homenagear a mãe dela: a Ná Homer. Ela estava indo para a reunião dos inventores de coisas e pensou: vou deixar que eles escolham. o nome pode ser Bigo ou Na.
Ela estava nervosa para apresentar sua invenção e falou bem rápido. E disse que podia se chamar Bigo ou Na. Em inglês, ou é OR. Ela disse pode ser Bigo Or Na.
Os ingleses adoraram tanto o ferro quanto a palavra. Big Or Na. Bigorna.

Não Fui Eu - Sérgio

NÃO FUI EU
Eu imagino que você esteja pensando que seja eu o responsável por este buraco na parede.
Eu entendo sua suspeita. Na verdade é uma suspeita mais do que natural, visto que eu estou aqui, todo sujo de buraco.
No entanto, eu não confiaria tanto no raciocínio que conduz à conclusão óbvia de que seja eu o culpado. Até porque a culpa não foi minha!
O fato é que eu estava almoçando e logo em seguida decidi tomar um banho de piscina.
O problema é que, como todos sabem, não é prudente tomar banho de piscina logo depois de comer. Recomenda-se que se descanse depois do almoço. Mas eu não pude conter minha vontade de dar aquele mergulho. Mergulhei! Não demorou muito e minha barriga começou a mexer e a fazer barulhos estranhos. Parecia que tinha um bicho dentro dela. Um bicho que ia crescendo, e crescendo, e crescendo. Cresceu tanto que começou a ficar muito pesado. Tão pesado que eu fui afundando até o fundo da piscina. Me contorci, retorci, remexi... Já estava quase perdendo o ar quando o bicho deu um impulso no meu intestino grosso e saiu feito uma bomba de dentro de mim. PlumBlastimvrumcCapunchVacuTchumPlimPlou!!!!!!!!! Subi até a superfície da piscina e o bicho tava lá, boiando. Então eu falei: - Sai daqui, bicho! Eu não te convidei para tomar banho de piscina comigo! O bicho falou alguma coisa que eu não pude compreender, mas ele me pareceu irritado. Saiu da piscina e foi embora. Pensei que eu tinha me livrado dele, quando de repente eu vejo vários bichos saindo de dentro do ralo, inclusive o bicho que tinha saído da minha barriga. Eca! Era muito bicho!!!!! Eles instalaram um som com amplificador e colocaram uma música no último volume! Começaram a comer toda a grama e a beber toda a água da piscina! Eu tentei impedi-los, mas não fui bem sucedido. Foi então que um dos bichos se engasgou com a grama. Todo mundo tentou ajudá-lo, inclusive eu, foi uma comoção. Apertamos a barriga dele até que finalmente ele cuspiu o que tava entalando. O cuspe foi direto pra parede e fez esse buraco enorme! Todos os bichos saíram correndo com medo de levar bronca. Sobrou pra mim: tive que ir até a parede tirar o cuspe. Então eu vi que no bolinho de grama mastigado tinha uma minhoca. Por isso que o bicho engasgou e por isso que o buraco ficou tão grande! Buraco de minhoca!

Constelações atualizadas, hamsterizadas, bichadas, pernaltas, desvirguladas

Os cílios são tão enormes que quando ele pisca me abana, o cabelo é comprido demais, a perna é tão enorme e fina que quando ele passa num bueiro, cai. Os dedos são tão magrinhos, que quando aponta, faz furinho. A barba só cresce no queixo. Parece um bode. É tão branco que parece um filhotinho de hamster. Você é lindo porque parece um filhotinho de hamster. E todos os humanos que se parecem com bichos são mais bonitos porque a beleza pode ser reconhecida também em outras espécies. Suas pernas são tão compridas que você é capaz de chegar em qualquer lugar que queira. Seus dedos pontudos são a sua genética alienígena. Gosto de pensar que quando você aponta pro céu, uma estrela nasce. Meu dedo cabe encaixadinho no seu buraco de umbigo. E se eu ligar todas as pintinhas do seu corpo teremos um mapa das constelações do universo. Olha só pra esses cílios! Posso pentear? E esse cabelo! São iguais os de uma sereia tão linda que linda mais linda do mundo oceânico polar tropical intergaláctico dos 7 mares e quando eles estão embaixo d'água se mexendo parecem uma água viva africana e subitamente eu posso ver todos os povos dos mundos daqui em inventados numa pessoa só, na pessoa mais linda do mundo que é sereia e ET, menino e menina, branco e preto, cavalo marinho e bode, gordo e magro, dentuço, banguela, bebê, vovó, mar, terra, frederico- o macaco sem cérebro, judi, gullar, todos pontinhos, se juntando, virando história, virando constelação, e de repente. Gira. Todo o teu corpo em órbita.

(lindo)

Australopit(eco)

Jeff está de sereia no chão. Todos estão sentados na cadeira. Trasição para colocar as cadeiras numa diagonal, que sai do buraco e segue em direção ao Jeff. Começa o dialogo do buraco, onde jeff está preso dentro dele e os outros tentam chegar para ajudar.


Fernandinha - alou
Jeff - ou... ou... o...
Sérgio - eco!
Jeff - eco... eco...e
Vittória - panorama
Jeff - ama... ama...a
Fernandinha - De novo
Jeff - ovo... ovo..
Rafa - cuidado
Jeff - dado... ado...
Vanessa - paçoca
Jeff - oca…oca...
Sérgio - Australopiteco
Jeff - Que?

Todos perplexos (Caaraaaca, Maluco, Mermão, My god, Sinistro, Rapá, ô Loco)

Sérgio - Australopiteco!
Jeff - Gente, não sei o que é isso.
Fernandinha - Quem é você?
Sérgio - Você é o eco?
Jeff - Não! Quem é eco? Eu sou a Sereia

Todos perplexos (Caaraaaca, Maluco, Mermão, My god, Sinistro, Rapá, ô Loco)

Jeff - Será que vocês podem me ajudar? Eu to presa no buraco.
Rafa - Como é que a gente vai saber se você tá falando a verdade?
Vanessa - Como é que você entrou aí?
Vittória - Como é ser uma sereia? 
Sérgio - Como é que a gente faz para te ajudar?
Jeff - Primeiro vocês precisam entrar no buraco…

Todos começam a fazer partitura de obstáculos.

Jeff - Aí vocês vão escalar a montanha norte, escorregar pelos pedregulhos de Borestein, entrar no vulcão da lava fluorescente, encontrar a tartaruga egípcia, acertar a charada do plâncton, mergulhar nas profundezas do Lago Nessi, lutar contra o monstro, vencer, seguir pela corda bamba, erguer a lona do circo em 3 minutos, aprender a coreografia do ula ula com as irmãs Kalai e Aloha, dançar pela estrada de estrelas adormecidas, ajudar a velhinha a atravessar a rua, avistar o castelo, entrar no castelo, sair do castelo, se agachar para passar na porta da casinha do cachorro e entrar na cozinha, nela vocês vão cozinhar um pipocanduba e, se tiver bom, um alçapão irá se abrir e vocês cairão aqui.
Vanessa - Só?
Jeff - Sim

Eles chegam e olham a linda sereia. (Caaraaaca, Maluco, Mermão, My god, Sinistro, Rapá, ô Loco)

Sérgio - E agora, como é que a gente faz pra sair?


FIM

quarta-feira, 4 de março de 2015

O Começo dos Tempos - Fe e Vanish

Fê se senta na cadeira e observa a plateia. Atrás dela, todos começam a soltar os seus instrumentos. Silenciosamente Vanessa se aproxima pelas costas da Fê e tampa seus olhos.



Vanessa: O que você tá vendo?


Fê: Não to vendo nada, ué


Vanessa faz como quem vai desistir da brincadeira, mas Fê aperta a mão da amiga contra os seus olhos.


Fê: Peraí, to vendo! Tem um gatinho bebendo leite. Um sacão e pipoca com asas enormes. Que isso! Gente, isso é pipoca ou pedra? Elas tão se batendo! Cuidado! Uma cadeira passou raspando. Tá chovendo, Vanessa, olha! Quanta água! É o mar mar! Eita. Olha tu ali, bem velha. Você tem uma calda de sereia! Viu esse peixe? UAU! Que buraco enorme! Acho que é um bolo de chocolate, que recebeu um furo gigante feito por um dedão enorme. Tá saindo uma fumaça quentinha, gostosa. Tá chegando mais perto! Olha pra isso menina! Tem de tudo lá dentro. Buraco negro, buraco de minhoca. Acho que é onde começou tudo! Tá muito perto, Vanessa, ele vai me engoliiiiiiiiiiiiiiiiiii BU!


Enquanto as meninas falam o texto, os outros passam por traz da cena, em fila, investigando o caminho da evolução dos animais e suas suspensões poéticas. Tenho cá pra mim, que a Fernandinha parece viver o cinema 3d pela primeira vez em suas reações. Gosto de pensar que na fila, euanto acontece o dirigível, todos estão usando aquele óculos verde e vermelho de enxergar três dimensões onde só tem duas.


Vanessa: No começo dos tempos tudo era poeira. A essa poeira damos o nome científico de átomo. Os átomos também são chamados de pontinhos. E quanto a gente tem vários pontinhos, podemos ligá-los de formas infinitas e desenhar tudo o que existe. Os átomos são ingredientes elementares para a formação das coisas e de nós. Tudo é poeira. Todas as coisas são montinhos de átomos. Tudo o que existe só existe porque seus pontinhos foram ligados dando forma ao seu contorno.


Fê: Antes dos pontinhos se ligarem, a poeira fica espalhada e o espaço fica todo sujo de átomos. O espaço, as galáxias e o infinito com seus átomos todos bagunçados! Antes do começo a gente é essa poeira de cometa, e das coisas que existem láaaa longe. Depois nos tornamos constelações, várias estrelas juntas. Até o momento em que os rabiscos que ligam os pontinhos se apagam para que os mesmos pontinhos se liguem de um jeito novo e formem uma outra coisa. (Como uma massinha em formato de biscoito, que depois que a gente amassa, pode virar o número oito. Ou o oito deitado, ou o infinito). Assim, aquele átomo da ponto do rabo do dinossauro pode estar hoje dentro do seu coração. E os átomos dos cantinhos do sorriso da vovó, podem vir a ser tudo o que a gente quiser. É só ligar os pontos.

editar: oito, infinito, biscoito