sábado, 21 de março de 2015


Sinto um vazio aqui às vezes. Muitas vezes, como se eu estivesse sozinho, mesmo junto de todas as coisas. Uma solidão que faz ir caindo num buraco do infinito. E eu sou tão pequenininho que ninguém pode reparar que eu caio. Ninguém nem me percebe por aqui mesmo. E quando percebe me puxam as calças, me contam que não existe quem criou, que os avós são todos mentiras, me dizem tantas coisas que nem com o objeto aqui vendo por trás consigo mais diferenciar as verdades e mentiras. E eu grito para eles, para eles não mentirem para mim, pra nunca mais esconder as coisas da criança, por que a criança lida melhor com as verdades do que qualquer um aí que fica se desmilinguindo só por causa de bubiça, por causa de uma dança qualquer, por causa das verdades de uma cadeira. A criança aqui é mais forte que todo mundo junto. Ela tem poder. Eu vou lá e lhe solto um magiagam nas fuça dos mentirosos, abro uma fissura no espaço tempo, onde posso ver minha rua em câmera lenta, vista como dentro de uma redoma, uma bolha, as pessoas rindo nas minhas costas e eu observando tudo às costas delas. Então, me viro de costas praquele pequeno planetinha vagaroso e caminho. Vou procurar uma rua pra mim. Vou me sentar na bordinha do horizonte - como fez minha avó dentro da história dela - e, quem sabe então eu voe se der um impulso pra frente. Eu tenho minha trouxa com todas as coisas que preciso. Conservo nela minha mente saudável. Não vou nunca me tornar um mentiroso. Não vou ser outra pessoa. Guardo minha mente bem guardada e assim posso continuar criança a vagar por aí enfrentando as maldades do mundo da maneira mais pura e sincera que é como sou.

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